domingo, 10 de janeiro de 2010

2010

Fogos de artifício no céu, álcool na cabeça e um sentimento de vida renovada no peito. Quando viramos o ano, fazemos promessas e planos pros próximos doze meses, mas poucas vezes as coisas vão além das intenções. E as novidades que aprendemos ao longo desse tempo estão, muitas vezes, fora do script.

Em 2009 conheci gente nova, me afastei de pessoas antes muito próximas, mudei minha opinião sobre outras pessoas, perdi uma pessoa querida na família, acertei e errei como todo mundo, vivi a maior adrenalina da minha vida e concluí um ciclo importante em minha trajetória. Ao olhar pra trás, vi que o saldo foi positivo apesar de não dar muita importância a certos acontecimentos no momento exato em que eles ocorreram.

Depois de contar os dias para a chegada das férias, aproveitá-las talvez não da melhor forma como esperava mas sempre em lugares perfeitos e com boas companhias, é hora de dar tchau ao descanso, levantar a cabeça e dizer oi pro novo ano que começa pra valer na segunda-feira.

É hora de voltar ao trabalho, pagar o IPVA, reiniciar o inglês, praticar algum esporte depois de anos, remarcar a consulta com a dentista, retomar o projeto social que já estava em andamento... Não são promessas, mas compromissos. Promessa, mesmo, e única, é reencontrar amigos que há algum tempo não tenho contato tão próximo. Há de sobrar tempo pra isso, e também pra fazer novas amizades, por que não? Já está de bom tamanho.

Feliz 2010!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O dia em que o rio levou minhas calças

Eu tava muito afim de ir não. Afinal, dentro de um ano seria a terceira vez que viajaria com amigos pra Brotas, interior de São Paulo. Um deles tinha o sítio do tio pra alojar todo mundo por lá, mó moleza e tal. Deixei de cu doce e fui, enfim. Foram cinco horas de viagem, com chegada no sítio dificultada por uma poça que fingia que ia atolar os três carros e uma noite em que alguns beberam até o sol nascer.

Dormimos, acordamos, comemos, pegamos as carangas e voltamos pra cidade pra fazer o tal do rafting - aquela brincadeira em que um monte de gente paga pra entrar num bote, descer um rio cheio de pedras e quedas e remar como animais. Nos dividimos em dois grupos e um deles foi batizado com o nome da minha ilustríssima mãe. A cada corredeira, manobra ou caldo que davam nos outros, os filhos da puta gritavam: "Dona Mercedeeees!".

No nosso bote, o instrutor falava da mata ciliar, do rio Jacaré-Pepira, um dos únicos afluentes não poluídos do Tietê, e também dava ordens como general. Nunca sentira tanta dor no braço desde os 14 anos.

Uma das melhores partes do trajeto é quando todo mundo cai no rio e é levado pela correnteza até determinado ponto. Nessa hora, dá pra dar cotovelada em quem tá passando do seu lado, chutar a cabeça de quem tá na frente, engolir um pouco d'água e soltar depois pelo nariz e ralar o joelho nas pedras no fundo do rio. À pampa.

Eu, boiando muito de boa, sinto algo passando pelos meus pés. Pensei: "deve ser um saco de lixo flutuando". Nada disso. Quando volto ao bote, é que percebo: CADÊ A BERMUDA?


Não sei o que houve, mas acho que o botão se soltou e o velcro se abriu enquanto estava na água. A bermuda passou pelas minhas pernas sem que eu percebesse e foi levada pela correnteza. E eu fiquei lá, só de sunguinha preta e azul. As pessoas do meu bote não se aguentavam de rir. O pessoal dos outros botes se certificavam de que era aquilo mesmo que elas viam.

No fim do trajeto, todos saem do rio, descem do bote e, oras, vão tomar um lanche! Cena linda: boné, camiseta vermelha, tênis marrom e sunguinha preta e azul comendo um pão de forma com presunto e queijo enquanto todos diziam o quanto eu estava 'sexy', como minhas coxas eram peludas, entre outras coisas...

Na hora de entrar no ônibus pra voltar pra cidade - sim, porque a gente estava a quilômetros de Brotas, onde largamos as roupas de reserva - me prenderam do lado de fora para que eu entrasse por último e todos os 30 e poucos passageiros vissem meu desfile estilo gogoboy.

Chegando em Brotas, fiquei por último de novo e fui ovacionado (zuado, mesmo) pelos meus 'amigos queridos'. Já podia pegar a outra bermuda, mas preferi ficar só com a roupa de baixo, afinal tem que tá de sunga é pra se exibir - ainda que seja um volume ínfimo ocasionado pela fria água do rio Jacaré-Pepira.


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

De volta


São quase quatro meses desde o último post (que mal pode ser considerado um post, já que foi apenas pra divulgar um outro blog), mas cá estou novamente. E é incrível como em tão pouco tempo podem acontecer tantas coisas, né não? Enumerando...

Enfrentei um caso de doença grave na família, fiz 22 anos, matei a saudade dos meus melhores amigos, dei um fora numa cu-doce ae, conheci pessoas novas, me compliquei com o TCC, fui a um pagode zuado, levei várias botas no pagode, conheci uma quebrada fudida do Grajaú, me afastei dos meus melhores amigos, passei a frequentar hospitais, conheci mais algumas pessoas, me reaproximei dos amigos, enfrentei morte na família, parei de beber, visite a avó recém-operada, voltei a beber, enfrentei professor filho da puta na faculdade, levei bota na cidade de São Paulo, conheci mais pessoas, pulei de paraquedas, levei bota no interior do estado, levei multa no interior do estado, fui ao jogo do Parmera após anos, vi o Parmera empatar e iniciar sua queda,no campeonato, conheci Heliópolis, me estressei comigo próprio, acordei melhor no dia seguinte, finalmente não levei uma bota, tive uma crise de identidade com menos de 12 horas de duração, mais uma vez sem levar bota, e de novo, me estressei comigo mesmo de novo por burrices do presente, me estressei com burrices do passado, visitei a avó recém-chegada da Bahia, me estressei com outro filho da puta na faculdade, corri com o TCC, terminei o TCC, comemorei o fim do TCC bebendo, entreguei o TCC, bebi com amigos da faculdade, ri de uma anã, me arrependi em seguida (era bizarro, mas... coitada!), bebi de novo com outros amigos, comi também, relembrei com minha prima quando ela quase me matou durante a infância, dormi o fim de semana inteiro, acordei hoje cedo, me estressei no trem lotado, me estressei com o entrevistado enrolão, me acalmei, almocei, voltei pro trabalho, conversei, fiquei quieto, vim embora, cheguei em casa e... decidi ressuscitar o blog parado há quatro meses.

(Considerando, claro, que me lembro melhor do que aconteceu há menos tempo). Ufa!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Acesse!

Lembra do TCC que eu e mais duas pessoas estamos fazendo? Sim, aquela série de documentários sobre movimentos sociais na periferia... Agora, lançamos dois canais só pra falar do assunto.

Acesse nosso blog Periferia em Movimento e siga-nos pelo Twitter. Sugestões são benvindas.

sábado, 25 de julho de 2009

Periferia chegando junto...

Em meio a todo esse pega-pa-capá do TCC, que é sobre movimentos sociais periféricos, esse é o máximo que posso colocar aqui por enquanto: uma entrevista com o Sérgio Vaz, que lidera a Cooperifa, feita para a revista experimental da faculdade. O cara é animalescamente genial...



Pra manos e playboys

Nos rincões da maior cidade do País, um homem recita poesias com intensidade que chama a atenção de quem vive no centro.

Certa vez, o antropólogo Hermano Vianna falou que a periferia é o que há de mais pulsante na sociedade brasileira atual. É o lugar onde pessoas passaram por cima das adversidades, cansaram de esperar ajuda de fora e decidiram mostrar aquilo que sabem fazer. O resultado é um interesse crescente de quem mora em regiões mais abastadas pelo que surge às margens das grandes cidades.

Um claro exemplo desse movimento é a Cooperifa – Cooperativa de Cultura da Periferia, criada em 2001 pelo poeta Sergio Vaz, 44, e alguns amigos. Todas as quartas, a Vaz reúne cerca de 400 pessoas na zona sul de São Paulo para recitar e ouvir poesias. Há gente que vem da Vila Madalena, do Brooklin, do Centro, de outras periferias e até da Nigéria.

Vaz nasceu no vale do Jequitinhonha, região pobre de Minas Gerais, mas veio para São Paulo aos três anos de idade. Na capital paulista, sua família se instalou em outra região pobre: em Piraporinha, bairro vizinho a Capão Redondo, Jardim Ângela e Jardim São Luis.

Palmeirense fanático, Vaz cresceu jogando bola na rua. E, como outros garotos da periferia, via crimes acontecerem na esquina da rua de casa. Mas a família sempre foi exemplo para ele. “Eu venho de uma família simples, mas nunca faltou livro na minha casa. Meu pai lia muito. Daí, começou o meu fascínio pela literatura”, conta.

Na prateleira, escritores como Ferreira Gullar e Gabriel García Marquez. “Eles me inspiravam porque era uma literatura que não era só literatura. Era uma literatura que queria mudar o mundo”.

Apesar de ter estudado somente até a oitava série, Vaz tem consciência de que a arte pode transformar o ser humano. Por isso, não se conformava com as condições de vida na sua região. “Eu pensava: ‘Meu, parece que eu tô em outro país. Parece a Palestina’”. E, numa época em que todo mundo queria se mudar da periferia, ele queria mudar a periferia. Foi aí que a Cooperifa começou a ganhar forma.

Em janeiro de 2001, ele e uns “trutas” se juntaram para fazer saraus no Garajão, um bar em Taboão da Serra, para onde ele se mudou e vive até hoje. O primeiro dia de sarau teve 17 pessoas, mas foi ganhando público com o passar do tempo. Um ano e meio depois, o bar foi vendido e a Cooperifa se instalou no Zé Batidão, outro bar, em Piraporinha, onde Vaz passou a infância e a adolescência.

Depois disso, surgiram eventos como a “Semana de Arte Moderna da Periferia”, convites para se apresentar em outras cidades do País e o título de maior sarau do Brasil. Vaz já publicou dois livros, “Colecionador de Pedras” e “Cooperifa – Antropofagia Periférica”. A mais nova investida dele é o cinema na laje, em que ele exibe filmes de graça para a comunidade. Não é à toa que ele desperte curiosidade.

Segue a entrevista:


Quem frequenta os saraus da Cooperifa?
Sérgio Vaz - Mano, aparece de tudo aqui. Um dia, veio o príncipe da Nigéria (Otunba Adekunle Aderonmu) com o pessoal do Consulado Negro; no mês passado, vieram quatro americanos; outra vez, apareceu uma kombi com um monte de venezuelanos, argentinos, sabe? Quem é ligado na arte, na cultura, tem que ir à periferia, tem que conhecer o sarau da Cooperifa. Hoje, o sarau é frequentado por 60 por cento de gente da quebrada e 40 por cento de fora. É uma galera de outros bairros, outras quebradas, do centro.

Como esse pessoal de fora é recebido?
Vaz - Nós temos a preocupação de não reproduzir o preconceito. Então todo mundo pode participar, independente da crença, da cor ou da classe social. Só que tem aquela coisa: o silêncio aqui é uma prece e o cara tem que respeitar. Não importa de onde vem, que se foda: tem que respeitar.

O que você acha do interesse da classe média nos saraus?
Vaz - Por um lado, tenho medo de gente que vem para periferia com um edital do Ministério da Cultura nas mãos para faturar em cima da gente. Eles só precisam de um pobre para corroborar e, depois, ganhar dinheiro em cima da gente. Mas oportunista existe em todo lugar. Por outro lado, é muito bacana. Eu amo o que eu faço, amo a periferia, mas penso que a sociedade tem que ser uma coisa só. Acho bom a classe média frequentar a periferia, até para tirar o estigma de que isso aqui é só violência.

O que a classe média busca em vocês?
Vaz -As pessoas saem do centro em busca do novo. Não que eu ache que o que fazemos aqui seja novo. Parece novo porque nós da periferia, depois de 500 anos, estamos tomando posse da literatura e da poesia. E estamos fazendo isso com tanta paixão que as pessoas se emocionam, se interessam. E, se agente quer lutar contra a desigualdade, a gente tem que se unir. Assim como eu não gosto que generalizem a periferia, eu também não gosto de generalizar a classe média. Muitas vezes, quando se fala da periferia, parece que está agredindo alguém. Eu não sou contra o centro. Eu sou a favor da periferia.

E qual o efeito para o pessoal da “quebrada”?
Vaz - Em primeiro lugar, auto-estima. Quando eu morava no Piraporinha, tinha que mentir o endereço para conseguir emprego. Há 30 anos, existiam aqueles programas de crime e o cara perguntava onde você morava. Se eu falasse que morava no Piraporinha, já era. Tinha cara que pegava endereço do Socorro, outros lugares. Hoje, a periferia tem outra postura. Quando perguntam para o cara onde ele mora, ele fala: “Eu moro onde tem o sarau da Cooperifa”. Acho que esse é o grande achado.

Recentemente, a Cooperifa inaugurou o “cinema na laje”. Como surgiu essa ideia?
Vaz - O cinema mais próximo da gente, no Shopping Interlagos, passa “Homem Aranha”, que é coisa de Hollywood. A gente pensou: “Tem tanta gente fazendo coisa bacana na periferia. Vamos mostrar isso pra galera!”. A gente queria um lugar para dar vazão a tudo que eles estão fazendo, reproduzir uns documentários, fazer o pessoal refletir. Aí surgiu a laje do Zé Batidão, que é o mesmo cara que cede o bar para os saraus. Lá, nós passamos filmes de quebradas do Brasil e do mundo. E outros filmes também. Mas a ideia é ver o cinema de outra forma. Nós temos lanterninha, temos pipoca grátis, temos a lua grátis. Então, não tem como o cara falar que o cinema é caro ou longe. É isso que queremos: criar possibilidades para o cara conhecer o cinema.

Quais os próximos projetos da Cooperifa?
Vaz - Nós tivemos há pouco tempo o “Poesia no ar” (centenas de pessoas soltaram balões com poesias nos céus da cidade). Além do sarau todas as quartas, a gente tem o sarau nas escolas. Fizemos sarau também na Fundação Casa. Temos outro projeto que se chama “Chuva de Livros”, em que distribuímos 500 livros pra galera da quebrada. E tem a Mostra Cultural, para comemorar nosso aniversário. É uma semana inteira com atividades culturais. Um dia, teatro; no outro, cinema; no outro, dança; no outro, música. E por aí vai.

O que a periferia quer hoje?
Vaz - Pelo menos do ponto de vista artístico, a periferia quer ser protagonista. Eu passei todo esse tempo vendo todas as coisas acontecendo no centro. Música, teatro, cinema, pá, tudo no centro. Hoje a molecada da periferia tá editando livros, tá com câmera na mão fazendo curtas para colocar na internet. A periferia não quer mais ler a história dos outros. A periferia quer colocar seu polegar na história também. Apesar de todas as dificuldades, as pessoas estão correndo atrás. Tem uma frase que a gente usa muito que é “estar vivo é muito pouco, nós queremos muito mais”.

A periferia está mudando?
Vaz - Com exceção de equipamentos para cultura, são poucas coisas que a periferia não têm hoje. Antes, para comprar um móvel ou qualquer coisa, você tinha que ir lá no Mappin da Praça Ramos. Hoje não é mais aquela coisa pobre que era para a maioria. Tem bares, tem casas de show. Essa coisa que o hip hop enfatiza, tipo “sou do Jardim Ângela”, “sou do Grajaú”, é algo que os cariocas fazem muito bem no funk deles. A periferia de São Paulo começou a ter orgulho. Não orgulho da pobreza, porque disso não dá para se orgulhar, mas das pessoas que vivem ali. A gente tem orgulho de ser da periferia, onde as pessoas se respeitam, se ajudam, se solidarizam. E eu amo a periferia.



Serviço:
- Sarau da Cooperifa
Todas as quartas, a partir das 21hs

- Cinema na Laje
Quinzenalmente, sempre às segundas, a partir das 20h30

Ambos os eventos acontecem no bar do Zé Batidão
Local: Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana - Zona Sul



terça-feira, 9 de junho de 2009

AA 0961 - O voo maldito


Originalmente postado em Trivialidades no Coletivo


Uma cidade de cenário paradisíaco, um aeroporto e quarenta passageiros à espera do voo prometido. Essa história não aconteceu exatamente em um coletivo, mas em virtude de um. Esqueça todos os filmes de terror sobre viagens aéreas que você já viu. Isso aqui é real e aconteceu comigo.

Depois de cinco dias cobrindo um evento para nerds em San Francisco, retornei pra casa. O check-out do hotel tinha de ser feito até o meio-dia. Como as palestras do evento começavam as 08h30 da manhã, precisei acordar às 07h30 para tomar banho e desocupar o quarto. Depois de um dia cheio, eu e um outro jornalista brasileiro que também tava por lá fomos para o aeroporto da cidade.

De lá, voaríamos para Miami às 23h35. Detalhe: chegamos um pouco cedo demais no aeroporto - três horas de antecedência!!! Deu tempo de dormir, ir ao banheiro, comer, dormir de novo, ir ao banheiro de novo... Enfim, embarcamos. Cinco horas de viagem, mais o fuso horário, chegamos em Miami na sexta às 07h30 da manhã. Mais quatro horas e meia de espera até pegar o avião pra Sampa. Pensei comigo: “Tudo bem, quatro horas passam rápido”.

Quase meio-dia: tripulação preparada, passageiros dentro do avião. Voo vazio, quarenta pessoas só... que beleza! Dava pra cada passageiro pegar três poltronas e fazer uma cama. Pensei de novo: “Opa, umas onze da noite já vou tá em casa, de banho tomado e janta na mesa”. Bom demais para ser verdade.

Depois de dar um rolê na pista, o avião parou. O piloto avisa: “Temos problemas técnicos, mas resolveremos em poucos minutos”. Ficamos mais de uma hora parados com um calor do Senegal dentro da aeronave. E lá vem o piloto de novo: “Nosso sistema de ar condicionado está com problemas e todos os passageiros terão de desembarcar com seus pertences até arrumarmos”.

Lá vamos nós, cada um com sua bagagem de mão, de volta pra sala de embarque. No caminho, uma mocinha muito simpática com travesseiro debaixo do braço comentava sobre o avião da AirFrance que sumiu no Atlântico. “Logo, logo os corpos começam a boiar”. Isso lá é conversa de quem acaba de sair de um avião que teve problemas técnicos antes da decolagem?

Pediram mais duas horas de espera. Beleza. Pra quem já tava ali há sete horas, mais duas não matariam ninguém. Deu quatro e meia da tarde e nada de volta pra casa. Uma chuva digna das enchentes do Norte e Nordeste caía do lado de fora. Somos comunicados que o voo foi cancelado e que partiríamos junto com a galera do voo seguinte, às 20h15. Porra! Por que não falaram antes? Dava pra passar o dia inteiro na praia!

Pra “compensar” toda a espera, a companhia deu um vale-refeição de 10 dólares pra cada passageiro. Eu, cansado de comer pizza, hamburguer e hot dog, andei o aeroporto inteiro atrás de comida de verdade. No fim, comi uma lasanha mesmo. Como a rede wi-fi do aeroporto era paga, o jeito era passar o tempo fazendo novos amigos e testar cada poltrona da sala de embarque. Me senti o próprio Tom Hanks no filme “O Terminal”.

Às 21h30, mais de uma hora após o previsto, decolamos. Chegamos em Guarulhos às 07h30 da manhã de sábado – ou seja, 48 horas depois de tomar meu último banho. Mas se tava ruim, podia piorar. Imagine, por exemplo, se eu estivesse com uma gripe suína, ou se fosse barrado pela alfândega ou, sei lá, que extraviassem minha mala. Pois é. Não é que, na hora de pegar as bagagens na esteira, a galera do voo maldito ficou de mãos abanando? Todo mundo fazendo filinha na frente do balcão da companhia pra reclamar. Tinha só um cara pra atender 40 pessoas. Deu duas opções, ainda: podíamos aguardar a mala ser entregue em casa ou esperar o próximo voo.

Não pensei duas vezes: fui pra casa! Peguei o táxi e outro tormento: trânsito do diabo na 23 de maio. No fim, fui chegar em casa mais de onze da manhã de sábado, depois de 52 horas sem banho. E as malas? Só chegaram no domingo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Paz no Grajaú

Como dito no post anterior, tô fazendo um TCC sobre movimentos sociais na periferia. Como piloto, a décima edição do evento pela paz no Grajaú. É nesse sábado, já. Vale a divulgação. Quem quiser, compareça!


sábado, 28 de fevereiro de 2009

Ajude a fazer um TCC


Ei você que já se formou, ou que ainda está na faculdade ou que nunca colocou o pé numa (e nem tem essa intenção): é sua oportunidade de fazer uma boa ação! Quem tenta ser uma boa pessoa sabe que não é fácil. Nem sempre surgem oportunidades para você mostrar o quanto de bondade há em seu coração. Portanto, estou aqui dando-lhe essa chance!

Sem enrolação. É o seguinte: tô no último ano da faculdade de Jornalismo e, como é de praxe, os formandos precisam fazer o famigerado Trabalho de Conclusão de Curso - mais conhecido como TCC. Todos que já passaram por essa situação avisam: não deixe para fazer o trabalho em cima da hora, corre com isso... Eu e mais duas colegas de classe demos ouvidos a eles e começamos a fazer o nosso TCC em meados do ano passado. Mas não é tão simples quanto parece. Então, cá estou pedindo uma humilde colaboração.

Nosso projeto consiste em produzir uma série de documentários sobre o extremo sul da cidade de São Paulo. O foco é falar de movimentos sociais que trabalham pela disseminação da cultura de paz em bairros classificados como "pobres" e "violentos". Na lista, Capão Redondo, Jardim Ângela, Jardim São Luiz, Parelheiros, etc.

Pra começar, elegemos o "Grajaú" (onde eu moro), que apesar de ser o mais populoso da cidade, é um dos menos conhecidos - ou conhecido apenas pelos crimes que nele acontecem. Vamos falar da história do bairro, de pessoas que nele vivem, do contexto social e econômico e direcionar para o nosso foco principal: a cultura de paz. Como exemplo, o "Evento pela Paz", que acontece anualmente no bairro e esse ano completa uma década de atuação.

E como eu faço para ajudar?
Você pode colaborar de várias formas. Se entende de cultura de paz ou de guerra, pode indicar livros, reportagens, documentários ou qualquer outra coisa que trate do assunto. Se leu alguma reportagem sobre o Grajaú ou outro bairro da periferia paulistana e achou interessante, nos recomende.

Se entende sobre periferia e os fatores sociais e econômicos envolvidos, idem. Se quer dar dicas ou onde podemos encontrar dicas de documentário, é só falar. Se você manja onde podemos encontrar equipamentos de vídeo ou até uma equipe de gravação que cobre barato, manda aí. Se você mora em algum dos bairros mencionados e conhece movimentos sociais que fazem alguma diferença na realidade local, pode falar.
E se você mora no Grajaú, sabe alguma coisa sobre a história do bairro, onde podemos conseguir essas informações ou conhece alguém que vive há muito tempo por essas bandas, pode falar também.

Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou aqui pedindo sua ajuda na confecção de meu TCC. É sua chance de mostrar que um bom coração! Olha lá, não vá desperdiçar essa chance.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Precoces

Que o mundo está mais acelerado, é fato. Eu acho que já falei sobre isso em outro post. Televisão, internet, o caralho a quatro.... e as crianças de hoje são bem diferentes da minha época.
Na ida pro trabalho, uma senhora entrou no trem com seu filho pequeno e as jovens gostosas porém egoístas que estavam nos assentos reservados não tiveram a capacidade de ceder os lugares que elas nem deveriam ocupar. Pois bem, fiz um sacrifício e dei meu lugar à pobre coitada e seu rebento. Mas fiquei do lado pra ouvir as conversas dela e do moleque (conversas com crianças são sempre inusitadas e podem te ensinar muita coisa).

A mãe falou ao filho que na próxima segunda-feira ele volta pra escola.
- Não, eu só volto na "carta-feira". - ele contestou.
- Você vai na segunda, que é quando suas aulas começam.
- Não, eu vou na "carta-feira", junto com a Jessica.
- Mas a Jessica nem estuda na mesma escola que você. Vocês não se separam um minuto!
- A Jessica é minha namorada.
- A Jessica é sua amiga, menino.
- É minha namorada.
- Mas ela tem doze anos e você só tem quatro.
- Eu não tenho "catro". Eu tenho cinco.

Bom, ele tem cinco anos. Então, acho que não problema né não?

Marketing agressivo

As pessoas fazem de tudo pra vender, né não?
Hoje, quando passava pela rua Cardel Arcoverde, em Pinheiros, um salão de cabeleireiros tinha um letreiro eletrônico com frases do tipo: "Jesus Salva! Faça escova por R$ XX".
De cara, pensei que fosse mais um daqueles fanáticos religiosos que costumam colocar Deus no meio de tudo. Mas depois cheguei à conclusão: Jesus só pode ser o nome do proprietário do salão. Olha que tem casos que só milagre resolve, mesmo...

Herpes

Definição da Wikipedia: doença viral recorrente, geralmente benigna, causada pelos vírus Herpes simplex 1 e 2, que afeta principalmente a mucosa da boca ou região genital, mas pode causar graves complicações neurológicas.

Se você estiver em São Paulo e olhar para o céu agora, às 22h30, verá uma lua quase cheia e várias estrelas - algo incomum nos céus paulistanos. Noite agradável, temperatura entre 20 e 25°C, e eu aqui, na frente do computador, digitando esse post. Pois é, caro leitor. O bicho tá pegando lá fora e eu aqui dentro de casa. O motivo? Herpes.

Tudo começou com a viagem do final de semana. Que beleza! Farofa, frango, feijão e todo mundo na praia. O sol fritava e o filtro solar fator 30 não foi suficiente para evitar os efeitos dos 55° C à sombra que fazia em Itanhaém! Resultado: na segunda-feira, estava parecendo a Caipora de tão vermelha que tava minha cara. Na terça, minha pele já descascava e me parecia mais com o encontro dos rios Negro e Solimões. E consegui ficar pior.

Quando acordei na quarta-feira estava a cara do Mussum. Um barato explodiu na minha boca e deu a impressão de que eu tinha um terceiro lábio. Baseado em meus conhecimentos médicos intutivos, fucei as gavetas atrás de uma pomada e a primeira que encontrei passei na minha boca. Era uma pomada cujo os princípios ativos são cetoconazol e betametasona. Pra me certificar da minha escolha acertada, passei na farmácia e perguntei qual a indicação para meu caso. Descobri que cetoconazol e betametasona não resolvem nada e podem até piorar. Gênio! Comprei a outra, a Aceclovir, e fui ao batente.

No caminho, as pessoas me olhavam como seu fosse um extraterrestre. Deu contade de perguntar se nunca viram um cara com herpes antes. Oras! E as crianças, então, com sua curiosidade invasiva... Tinha uma que não tirava os olhos das minhas bolhas bucais. No serviço, uma amiga, que teve herpes recentemente, riu da minha cara assim como eu ri da dela na época (aqui vai um alerta pra você que está rindo de mim agora). Isso sem contar que todos paravam de fazer o que estavam fazendo para - tcham tcham tcham tcham - me observar no ritual de passagem da pomada na "bolha".

Apesar de tomar todos os cuidados tomados, como não pegar sol (dã) nem tomar bebida alcoólica, as feridas secam na mesma velocidade de Santa Catarina depois das chuvas de novembro. Já me indicaram gelo para passar no local. Uns engraçadinhos falaram para passar Minancora, Vodol, etc. E quem quer ver o circo pegar fogo tenta me convencer a usar sal, vinagre, pimenta, bicarbonato de sódio, pasta de dente... Vou insistir na pomada.

O fato é que estou aqui em casa, em plena sexta-feira com uma puta lua, tomando Coca-Cola e assistindo Big Brother. Depois de quase dois meses sem atualizações, esse blog não merecia ser ressuscitado dessa forma trágica.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sociedade.com.br


No princípio, era a palavra. E as pessoas aprenderam a utilizar as palavras. E assim surgiram livros, jornais, o rádio, o telefone, a televisão. Foi um processo que cada dia mais se tornava mais veloz. A televisão, criada há menos de um século, ganhou mais força que os meios de comunicação passados e passou a ditar ao público os padrões morais, éticos e comerciais que deveriam seguir. Ainda assim, dava tempo conversar com o vizinho ou jogar bola na rua.

Mais ou menos em 1998, uma novidade ganhava força por aqui: um aparelho telefônico que podia ser carregado no bolso para onde quer que fosse o usuário – o tal do celular. Como tudo que é novo, o celular já era utilizado por quem tinha muito dinheiro e continuou sendo considerado artigo de luxo por alguns anos até se popularizar de vez com a guerra entre as operadoras e a ajudinha das Casas Bahia.

Que beleza! Cada vez mais pessoas adquiriam seu celular. Mesmo que o sujeito não tivesse dinheiro para pagar a conta, ter um celular no Brasil passou a ser questão de honra. Todos queriam enviar e receber torpedos; o número de celular virou item obrigatório nos currículos ou cartões de visita; e o tal aparelho deixou de ser luxo para se tornar commodity. Como se não bastasse, novas funções foram sendo incorporadas. Agora o bichinhio tira foto, grava vídeos, toca música... basta sair em qualquer local público para sentir o efeito dessa revolução.

Paralelamente, a televisão começou a perder força e audiência para a internet – primeiramente, claro, nas classes mais abastadas para depois atingir também o público mais pobre. E, ainda mais recentemente, além de e-mail, os internautas brasileiros curtiram a idéia de conversar em tempo real pelo messenger do MSN, deixar recados no Orkut dos outros e assistir vídeos engraçados no YouTube.

Na correria das cidades grandes não é sempre que dá tempo de checar e-mails, recados e vídeos novos nem mesmo atender com dedicação as pessoas que te ligam no celular ou te chamam no MSN. A saída? Juntar tudo em um só lugar: o celular. Alguns fabricantes já fazem isso. Dependendo do modelo que você usa, pode ter acesso aos e-mails ou MSN sem precisar de um computador. A experiência com internet ainda é fraca, pois os telefones móveis não são totalmente aptos para suportar a interface dos sites.

O foco está mudando. O usuário comum quer mobilidade, dizem os fabricantes. Nokia e Motorolla já têm modelos desse tipo para o público que deseja um monte de aplicações para uso individual. A Samsung tem um que capta até sinal digital da TV. Porém, o que está causando frisson no mercado é o iPhone que, além de agregar todas as funções já mencionadas – foto, vídeo, música, internet (com acesso a Orkut, e-mail, e tudo mais) –, tem tela sensível ao toque. É só o camarada colocar o dedo, mexer um pouquinho, que tudo muda de lugar.


E tudo vai, definitivamente, parar no celular. Fazer ligações será apenas mais um acessório. “As pessoas sentem necessidade se comunicar”, justificam-se os idealizadores. E será que as pessoas não se comunicavam antes dessas mudanças? Obviamente o volume de informações trocadas era bem menor há dez anos que agora. Sei que parece papo de velho, de gente conservadora que não aceita as transformações em movimento. Com certeza as pessoas estão se comunicando mais. Mas “comunicar” não é mais sinônimo de “conhecer”. Se, por um lado, as novas tecnologias agilizam a execução das tarefas diárias, facilitam a troca de informações e estreitam contatos, por outro fazem com que as pessoas transfiram a própria vida para um mundinho virtual onde qualquer um assume a personalidade que bem entender. E, nesse mundinho, não são as pessoas que estão no comando da situação. São seus avatares. E você, o que acha?


Madonna no Brasil


No último sábado, 13 de dezembro, a Madonna desembarcou no Brasil para shows no Rio de Janeiro (14) e em São Paulo (18 e 20). Capa de cadernos sobre cultura dos jornais, assunto nos programas de fofoca e várias manchetes nos noticiários da internet. Madonna, considerada diva da música pop mundial, é mais uma das estrelas acima dos 50 anos que trouxeram suas turnês decadentes para o Brasil ao longo de 2008.

Mais relevante que “Like a Virgin”, porém menos celebrado pela mídia, é o significado do 13 de dezembro para a história brasileira. Há 40 anos, o então presidente General Artur da Costa e Silva assinou o AI-5, o mais conhecido dos 17 atos institucionais publicados a partir de 1964, que durou dez anos e podou a liberdade política no Brasil.

No mundo, manifestações pela liberação sexual, das drogas, da quebra de tabus; no Brasil, o regime militar. Revolucionários armados iam às ruas lutar pelo comunismo. Políticos da oposição discursavam no Congresso contra os militares. O AI-5 foi uma resposta de Costa e Silva ao discurso do deputado do MDB, Marcio Moreira Alves, que pediu ao povo brasileiro que boicotasse as festas do sete de setembrocomo forma de protesto contra o regime. O Ai-5 foi a ditadura dentro da ditadura. A linha-dura do regime ganhou mais força após sua publicação.


O Congresso foi fechado por tempo indeterminado; estados e municípios estavam à mercê do governo federal; e o presidente passou a legislar por decretos-lei. Foram proibidas manifestações e reuniões de cunho político. A censura prévia foi novamente implementada, valendo para imprensa, cinema, teatro e música. E o hábeas corpus para os chamados crimes políticos foi suspenso.

Apesar da censura, alguns setores tentaram burlar os militares. O jornalismo econômico brasileiro e a Tropicália surgiram nessa época. Especialistas e pessoas que viveram na época dizem que esse talvez tenha sido o período de maior criatividade da cultura brasileira.

E hoje, o que vemos? Perguntem pra Madonna.

sábado, 1 de novembro de 2008

Deu zebra na corrida em São Paulo

O Rubinho Barrichello da política venceu o campeonato que valia a prefeitura de São Paulo

Chamem o Padre Quevedo! Afinal, a cidade de São Paulo – e só numa cidade desse tamanho, com características peculiares – algo tão paranormal como o que aconteceu na semana passada poderia ter ocorrido. Um certo alguém, até então desconhecido, levou a melhor na disputa pelo pódio paulistano.

Gilberto Kassab, um senhor do alto de seus quarenta e poucos anos que ainda é solteiro e não tem filhos (até que se prove o contrário), conseguiu convencer a imensa massa de eleitores de que, mesmo não tendo experiência do casamento nem da paternidade, tem conhecimento suficiente para dirigir a prefeitura – desde que não haja congestionamento, é claro. Qual o partido dele mesmo? O DEM (ou Democratas), pouco conhecido por causa da mudança recente de nome. É como se fosse uma nova escuderia da Fórmula Um.

Lá no começo do campeonato, Kassab estava atrás até de um político cri-cri, famoso pelas acusações contra sua índole: Paulo Maluf, o Fernando Alonso da política na terra da garoa. Kassab correu por fora. Aproveitou as derrapagens dos adversários para fazer ultrapassagens que lhe garantiram o título – quer dizer, o cargo. Para trás, deixou os favoritos Geraldo Alckmin (do PSDB, meio inglês, estilo McLaren de ser) e Marta Suplicy (do PT, de origem italiana, adora vermelho, assim como a Ferrari). Como conseguiu?

Primeira missão: ultrapassar Paulo Maluf, que não foi muito difícil por ser um concorrente já batido. Segunda missão: anular o segundo colocado, outra tarefa fácil. De um lado, ele tinha o apoio do membro da equipe rival. José Serra, oficialmente alckimista, trabalhava pela vitória do então desconhecido Kassab. Aliás, o democrata ocupou o lugar dele quando Serra resolveu competir em uma categoria superior. E o próprio Alckmin demonstrava que, em dias de chuva, por exemplo, não tinha controle de seu carro na pista.

Kassab acelerou e o público, ou melhor, o eleitorado passou a conhecê-lo. A torcida crescia cada dia mais e Marta Suplicy, do alto de sua colocação, passou a visualizar Kassab pelo retrovisor. Até que ela deu uma derrapada e ele a ultrapassou. Ainda havia chances de recuperar o tempo perdido, mas Kassab se aproximava do lugar mais alto do pódio a cada volta.

O tempo voou. Segundos, milésimos de segundos, frações minúsculas de tempo para se chegar a uma decisão. Marta precisava da ajuda de seus mecânicos – ou marqueteiros. Mas a estratégia deu errado. Que importa se o piloto tem filhos ou mulher? A decisão de colocar mais combustível nesse tanque acabou botando fogo no carro da própria petista. Ela perdeu velocidade, enquanto Kassab fazia a volta mais rápida.

Não deu outra. No Grande Prêmio, decisivo para o campeonato, Kassab levou a melhor, ficou com o troféu e com o champanhe. É como se o Rubinho Barrichello ganhasse o campeonato. Ou não. Afinal, o Rubinho é bem mais conhecido que o Kassab. Uma coisa eles têm em comum: com os efeitos da crise, Kassab já admite que vai tirar o pé do acelerador.

sábado, 18 de outubro de 2008

A crise global e o cara que fumava crack

A saga continua. Depois da tentativa frustrada de investir na Bolsa de Valores, Ivanilson voltou a sua velha vida de catador de papelão nas ruas do centro de São Paulo. Ta de casa nova, agora. Saiu debaixo do Viaduto do Chá e foi morar na calçada da Faculdade do Largo São Francisco. Ainda come de graça – agora, são os restos que os donos de lanchonetes jogam no lixo. E, com a grana do papelão que cata, compra umas pedras de crack que mal dão para dois dias.

Apesar de morar na rua e fumar crack desde criancinha, Ivanilson sabe bem do que está rolando no noticiário. Na era da informação, é impossível não estar por dentro: o mundo está em crise, falta dinheiro no mercado...

Ivanilson bem vê disso. O exemplo está nas ruas. Alguns amigos seus que pedem dinheiro nos arredores da Catedral da Sé já se queixaram da arrecadação escassa das últimas semanas. Efeitos do mercado financeiros mal das pernas, pensa o sábio morador de rua. Fora isso, tem o risco da nova leva de miseráveis que deve chegar às ruas para competir com quem já está lá. É a crise, é a crise!

Mas Ivanilson não está nem aí. Muito pelo contrário. Hoje, ele dá graças a Deus por ter sido impedido de investir na Bovespa. Quedas acumuladas no mercado de ações assustam o nobre viciado e, se ele fosse um investidor, hoje estaria ainda mais pobre.

Por outro lado, Ivanilson tem se beneficiado da alta do dólar frente ao real. Ele só não gosta quando o tal do Banco Central inventa de vender a moeda americana para frear a alta da cotação. Isso porque, quanto mais o dólar sobe, mais Ivanilson fatura pois o valor do papelão que ele cata é atrelado ao câmbio.

Crise? Essa é uma palavra que não existe para Ivanilson. Em suas idas diárias à nova Cracolândia, ele até paga umas pedras pros amigos mais duros. “E, um dia, ainda vou comprar todas as pedras de crack disponíveis na Cracolândia”.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Cinco minutos de bobeira

Sabe aquela máxima bíblica que diz que nós devemos amar o próximo gratuitamente, isto é, sem esperar nada em troca? Pois é. Por muito tempo, tentei seguir os “ensinamentos” gostando das pessoas pelo que eu penso delas e da forma como elas são de verdade, sem levar muito em conta se tais sentimento ou interesse eram correspondidos ou não. E isso vale para qualquer tipo de relacionamento, especialmente amizades.

E tal pensamento é daqueles que a gente tem no busão. Na viagem, pensei em gente que já corri atrás várias vezes para tentar criar ou manter algum vínculo. MSN, Orkut, e-mail... até mesmo telefone, que gosto ainda menos que os citados anteriormente e só uso em último caso. As respostas foram poucas ou nenhuma. Na maioria da vezes, o contato com esses “amigos” ocorre por acaso – no bar, no shopping, no meio da rua, na puta que o pariu... E, com esperanças e até mesmo felicidade, você começa a puxar conversa. Porém, seu “amigo” não está nem aí, quer mais é chegar no ponto dele para se livrar de você. E você, falante que é, até percebe o que o outro está pensando. Mas tem aquele papo de amor gratuito, blábláblá...

De tanto levar porrada, o cara uma hora acorda e começa a reação. E, nesse caso, a reação que se tem é perceber que não é bem assim. Ninguém á masoquista para ficar correndo atrás de quem não está nem aí para ele. Decidi acordar também. Para que imaginar que a outra pessoa não tem tempo para responder, para marcar alguma coisa?... E quem não tem o tempo corrido, hoje em dia? Então, por que somente eu tenho que dar o primeiro passo, ir atrás, puxar conversa, mandar mensagem, ligar, marcar reuniões? O esforço tem de ser recíproco.

Pareço amargurado? É o que muitos pensam e até me criticam porque tenho apenas 21 anos – oras, sou jovem demais para ficar me preocupando com questões desse caráter... Mas é aquela coisa: a vida ensina, mais cedo ou mais tarde. E, até hoje, não sei identificar ao certo o que vale a pena ou não para mim. Aos poucos, vou aprendendo. Quanto mais o tempo passa e mais pessoas cruzam na nossa frente, mais as coisas se esclarecem e mais nós aprendemos a enxergar as pessoas como elas são realmente.

Aquela história de amor gratuito só serve em Bíblia mesmo. Não to falando que se deva gostar somente de quem gosta de você, mas é bem melhor ser correspondido – literalmente (em MSN, Orkut, e-mail, telefone e nos encontros por acaso).

E prometo que posts desse tipo não se repetirão. Não sou emo, nem nada desse tipo para ficar escrevendo textos melancólicos desse naipe. Ta cheio de blog por aí com conteúdo parecido. Mas vai saber se esse texto não foi válido para você, caro leitor, que também ta na mesma situação... Quer um conselho? Mande todo mundo se foder.

Grato.

P.S: Às pessoas que foram magoadas de alguma forma por mim, hoje, peço desculpas. Geralmente faço isso com pessoas que considero de verdade. Perdão.

Publicado por um autor mal-humorado, em uma noite nublada e quente como o dia mais quente do ano em São Paulo, quando foram registrados 34,5 °C. Portanto, qualquer merda que tenha sido escrita aqui deve ser ponderada e avaliada com racionalidade.

domingo, 5 de outubro de 2008

fifi@falomerrrmo.com.br


Lembra-se quando aquelas vizinhas velhinhas se reuniam na sacada da janela para falar da vida dos outros? Pois é. Esse tempo já era. Estamos na era da internet, meu caro! Como diz aquela famosa música de fim de ano, “o futuro já começou”. E, com ele, os hábitos estão mudando. Tanto é que compramos pela internet, pagamos contas pela internet, telefonamos pela internet, estudamos pela internet... enfim, a vida está migrando para internet. Logo, se tantas funções passaram a ser feitas pela rede, por que um costume tão antigo da humanidade passaria batido? Não mesmo.

(simulação de conversa no MSN)
Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Minininaaaa, mas vc viu o babadu q ta pegandu?

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Fala ai, muié... qual é que pega?

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Como eh q vc ñ ta sabendo?

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Ñ sei naum. Diz ae, safada kkkk

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Nosssaaaaa, entra lá no orkut da Bruninha...

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
A da academia? Aquela q tava tendo um rolo com o prof?

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Eh, minina. To besta com a cachorrice da baranga...urghhh

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Pq fofa? Faz um tempo já que o prof ta catando ela...

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Naaaada. Aquele lah já era... nem te conto...

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Pq?!?!?!?!? O q ta rolando agora?

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Já te disse... entra la no orkut da baranga que vc vai ver

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Mas diz logo, porra...urghhh

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Ai, vc é impaciente hein. Kkkk... Entaum, a tal da branquela baranga já deu um pe na bunda do prof antigo.

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Serio?

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Eh minina... q babado forte... e o cara escreveu depoimento pra ela e talz...

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Hehe... que bunda mole... E como vc sabe q eles não tão mais juntos, fofa?

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Já disse... entra la no orkut da safada q vc vai ver... tem um scrap da Julieta, aquela sapata da musculação...

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Geeeente! A Julieta da musculação??? Rsrs

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Eh bettinha... parece que a sapata ta catando a branquela baranga....

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Argh... rsrs... vc naum presta!!!

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Mas é verdade... entra ela pra ver... ela deixou um recadinho pra Bruninha bem assim: na segunda, vou fazer vc trabalhar direitinho...

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Ué, mas isso não quer dizer nada... kkkk... elas só vão treinar juntas...

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Hahahaha... pára, Betty. Ta na cara q naum... a Julieta sapata, com uma dessas.... naum mesmo... e vc pode entrar no fotolog da Bruninha pra ver uma foto dela com a Julieta... as duas abraçadas e tomando cerveja... deus do céu!

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Ai ai... vc tem razão... mas q bafom hein fifi.

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Pois eh, mininaaaa... rsrs

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Vou escrever la no meu blog... pra todo mundo ficar sabendo... rsrs.. so vc mesmo, viu...

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Eh, e tem gente falando já que a Julieta naum eh santinha naum... qdo ela pega, pega de jeito... hehehe...

Betty Pirigueti – uhuuu popozuda! diz:
Geeente! Já pensou se rola alguma coisa mais quente na academia...

Fifi Feliz – falo merrrrmo diz:
Nossaaaa, Betty... verdade... vou levar minha tekpix a partir de amanha... rsrs... se acontecer, eu coloco no youtube.... que nem a Cicarelli...

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Viagem? Nada! Se antes chegar tarde em casa era risco de cair na boca do povo, hoje essa história mudou. A qualquer hora do dia, pode ter alguém te espionando pra saber o que você faz, o que você pensa, o que você diz... Privacidade? No more, people! A saída? Talvez não seja a solução 100% ideal, mas pode amenizar: compre um bar numa praia do Nordeste, assim como eu relatei no post abaixo. Enquanto isso, vá se acostumando...

domingo, 28 de setembro de 2008

Compra-se um bar

Calma, calma.
Antes que cheguem com as propostas, informo-lhes que, pelo menos por enquanto, não posso cumprir com o que anunciei no título. Não posso, pois conto com sérias deficiências orçamentárias, estou tentando me consolidar no mercado de trabalho e partir para o mundo empresarial agora é muito arriscado. Até porquê comprar um bar, em meu caso, não necessariamente seria para dar lucro. Seria, digamos assim, um hobby, uma aquisição que me desse prazer em ter, algo que me fizesse bem. Não me entenda mal, caro leitor conservador que, neste momento, deve estar imaginando que sou mais um alcoólatra brasileiro. Não, eu não pertenço a uma família desequilibrada, nem tenho problemas profissionais ou afetivos de caráter relevante – até que se prove o contrário. E não vou ao bar para tentar fugir da realidade, como fazem muitas pessoas que conheço. Vou para justamente discutir a realidade. Eu não sei como funciona para você nem para os seus, mas no meu caso o bar é o melhor lugar para falar de qualquer coisa. O papo começa com o que aconteceu no trabalho, cai em vida familiar, passa por vida amorosa, política, economia, futebol, religião e termina – sempre termina assim! – em sexo. Sim, fique atento: por mais pudico que você seja, a conversa no bar sempre vai desbancar para esse assunto. Porque é interessante. E são várias opiniões – ou então apenas duas, se no caso você for ao bar com apenas mais uma pessoa. Mas é interessante. Ontem mesmo, para citar um exemplo, dos assuntos discutidos entre uma rodada e outra de Antártica estavam Palmeiras, intercâmbio no exterior, mulheres infiéis, Deus existe ou não existe (esse já é um clássico) e crise dos EUA, oras! Parece chato, né? Sim, parece. Só que, no bar, fica muito mais interessante. Até porque o ambiente não faz com que você leve nada que seja dito ali a sério. Só que as pessoas não percebem que é justamente essa informalidade que nos permite mostrar quem realmente somos. E é aí que são construídos os laços mais fortes. Portanto, caro leitor que abomina os bares e seus freqüentantes: deixe o preconceito de lado e peça você também uma cerveja. E, desde já, te convido a visitar meu futuro bar daqui uns vinte anos, em alguma praia do Nordeste. Até lá, já terei meu espaço conquistado, minhas finanças estabilizadas e uns três filhos pra cuidar (dois homens e uma mocinha). Passe lá para tomar umas ao som ambiente de uma banda de forreggae.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Ressaca!

Fraca tentativa de movimentar esse negócio aqui após um período sem posts!

Conversa de mim comigo mesmo:

- Oi!
- Oi!
- Quanto tempo, hein?
- Pois é, rapaz! Tava meio difícil postar aqui. Sabe como é, né? Correria louca...
- Ah,sei sim. Quase um mês...
- Pois é. Parei de beber, não tive mais inspiração.
- Ué, mas você bebia para se inspirar e escrever essas merdas que coloca aqui?
- Na verdade, não. Mas eu queria escrever algo sobre a lei seca. Tanto é que coloquei uma enquete aqui do lado pra tentar tirar alguma coisa do resultado. Mas o pessoal que votou disse que cu de bêbado não tem dono... Daí, eu parei de beber.
- (risos) Ah, claro! Como você se deixa levar pelo que os outros falam... E a culpa foi sua, seu idiota... Se esqueceu de que foi você quem sugeriu as respostas? Agora, fica aí querendo escrever contra a lei seca.
- Não é isso. Eu, sinceramente, gostei da lei seca.
- E então? Por que não escreveu nada?
- Bem que eu tava pensando em falar sobre isso, mas é um assunto que já ta meio batido...
- Como assim?
- Ah, todo mundo já falou dessa lei seca. Uns falaram bem, outros falaram mal. Eu só sei que, pra mim, até que está fazendo bem.
- Ah, é?
- É sim. Só bebo quando saio de ônibus agora... To economizando uma grana, até. Fico só no toddynho...
- Isso é um bom tema para escrever um post.
- Claro que não. As pessoas não gostam de ler histórias de quem bebe toddynho. Encher a cara rende histórias muito mais cabulosas... Mas você nunca vai entender meu ponto de vista. Nunca!
- Eu, hein...

sábado, 9 de agosto de 2008

Dias de chuva sempre são mais interessantes

Você deve estar aí, pensando: “Puta, mas não dá pra fazer nada quando chove!”. Sim, é verdade. Eu não gosto da chuva em si. Enche o saco aquela água caindo na sua cara, pingos escorrendo por todos os lados... Fora que, quando seu sapato está furado, você molha o pé todo e ainda faz aquele barulhinho quando anda. É, chuva é mesmo muito ruim (a menos que você não tenha dinheiro e a única opção seja ficar em casa, assistindo os programas que passam na TV à tarde).

Quero falar aqui dos dias de chuva, sempre diferentes dos demais. Nesta semana, São Paulo sofreu uma mudança brusca na temperatura e o mês de agosto ficou um pouco mais cinza que de costume. Na sexta-feira, 08, o dia amanheceu debaixo d’água. Não tinha percebido até botar a cara pra fora de janela. Pensei: “To fudido! Mais um dia vou chegar atrasado”. Foda-se. Fui à caça do guarda-chuva. Aqui em casa há vários, mas todos quebrados. Maldita a hora que não segui os conselhos da minha mãe, que me orientou a sempre carregar um guarda-chuva na mochila.

Saí. Fui pegar meu trem, que demorava. Chegou. Entrei, me sentei e, ao meu lado, uma quarentona com a cara fechada. É claro, também pudera! Logo uma sexta-feira, o dia mais esperado da semana, tinha de amanhecer chuvosa? O trem demorou a sair. A tiazinha, que não estava com cara de bons amigos, começou a reclamar. “Ta cada vez mais difícil viver em São Paulo”, “Esses políticos não fazem nada certo”, “Ai, Senhor. O que fiz pra estar aqui?”. Eu, tentando tirar um cochilo, nem dei bola. Mas uma outra mulher, mais astuta que a primeira, rebateu: “Se as coisas são assim, a culpa não é dos políticos. É do povo”. Eu a apóio.

Dez minutos após o previsto, o trem sai do lugar. Mas tudo muito lento, por causa dos trilhos que estavam molhados. E a tiazinha ainda reclamava. “Esse maquinista é muito lento”. Oras, idiota! Mesmo que ele quisesse, não poderia correr pois há outras composições à frente e não tem como ultrapassa-las.

A velha falava, a chuva caía e a Marginal Pinheiros parecia um tapete. Um tapete formado pelas centenas de carros praticamente estacionados. Não demora e a tiazinha começa a falar mal.... de São Pedro! A tiazinha também não gosta de chuva e, por isso, culpava o santo por estragar sua sexta-feira. Outras pessoas que conversavam com ela concordam que ninguém merece tanta chuva! Ué, mas há uma semana todos estavam reclamando justamente da falta de... chuva! O ar estava seco, não dava para respirar... todo mundo queria chuva! Vai entender essa galera.

A viagem foi longa. Junto à tiazinha reclamona, proseavam a tal senhora que fala mesmo, um pseudo-intelectual e uma jovem trabalhadora daqueles escritórios da Berrini. Falavam dos políticos, do trânsito, da chuva... O pseudo-intelectual dava uma de sabichão: queria explicar as melhorias que a ponte Estaiada trouxe à cidade, a diferença entre trem e metrô (enquanto o trem circula a 60km/h, o metrô pode chegar aos 130 km/h), e o porquê do rio Pinheiros ser tão poluído. Tudo bem que as informações dele eram até interessantes. Ele também utilizava seu conhecimento para rebater a velhota rabugenta. Mas o ar de professor que empregava nas suas explicações era o que dava raiva.

Já a jovem trabalhadora estava indo ao escritório. Não se conformava com o trem lotado, mas disse que a vida melhorou muito desde que implantaram as novas estações. Antes, quando ia de ônibus e pegava trânsito, ela telefonava ao patrão e pedia a ele que mandasse um táxi para busca-la. Ela usava também o que o patrão dizia para explicar a alta da inflação: a) as pessoas pobres estão comprando carro porque podem parcelar por um prazo maior; b) os carros estão mais baratos e os juros menores, o que incentiva a compra de um “poisé”; c) em compensação, o seguro e o combustível estão mais caros – o que impede aos pobres consumidores saírem de casa com sua nova aquisição; e d) é por isso que a inflação está subindo!!

As pessoas desembarcaram em suas estações e eu fui ficando por último, até chegar à Hebraica-Rebouças. Na saída da estação, uma cena curiosa dos dias de chuva: várias pessoas abrindo o guarda-chuva ao mesmo tempo. Juro que, se tivesse uma modalidade olímpica para abertura sincronizada de guarda-chuva, aquelas pessoas levariam o ouro na boa.

Fui pegar outro ônibus. Encostaram vários. As portas eram estreitas e muitas pessoas precisavam entrar. Como a chuva ainda caia, as mulheres com chapinha no cabelo eram as mais desesperadas. Uma delas até me pediu para entrar na minha frente. Eu, piedoso que sou, fiz a caridade e deixei-a passar. Afinal, ela gastou tanto tempo e dinheiro para alisar aquilo.

Cheguei ao meu ponto, mas não conseguia nem me locomover. Várias pessoas que não seguem os conselhos de suas mães estavam sem guarda-chuva, e se aglomeravam em volta do vendedor. Aliás, guarda-chuva é uma arma letal. Eu, particularmente, sempre tive medo de ter meu olho perfurado com aquele ferrinho da ponta do guarda-chuva. Por isso, decidi andar sempre armado. O meu guarda-chuva ta aqui na minha mochila.

O legal dos dias de chuva é que as pessoas ficam ou afoitas, ou tristes, ou desesperadas, ou nervosas... ou molhadas! Mas ninguém fica indiferente, ainda mais quando precisa sair de casa debaixo de chuva para trabalhar em plena sexta-feira. As pessoas saem da rotina. E o interessante é observar como elas se comportam.

sábado, 26 de julho de 2008

Tem culpa quem?

Uma família em viagem. Quatro pessoas dentro do carro: pai, mãe e duas crianças (uma de oito anos e outra de quatro). De repente, um acidente fatal acontece e o caminhão onde eles estavam capota no meio da estrada. Tudo isso aconteceu na noite de uma terça-feira, 15, em uma rodovia que corta Minas Gerais, próximo a Uberlândia. O caso, que ocorreu numa semana escassa de notícias, causou até certa comoção no público – eu vi a notícia sobre o acidente no Bom Dia Brasil, onde a reportagem enaltecia o trabalho dos bombeiros, que conseguiram resgatar uma das meninas ainda com vida. Depois de três horas de trabalho, a pequena Hamanda, de oito anos, foi retirada das ferragens e passa bem.

Uma semana depois, alguns veículos da mídia dão continuidade ao caso. Hamanda agora vive com a avó materna numa cidade pernambucana. Ao ser indagada sobre o que sente saudades, ela responde que sente “muita falta da Internet”, já que na casa da avó não há acesso à rede. Pai, mãe, irmãzinha? Que nada! Ela, que nasceu na era da informação, já estava acostumada a conversar pelo MSN e mandar scraps pelo Orkut. Parafraseando o ‘mestre’ Marcelo Rezende, aí eu te pergunto: a culpa é de quem? Da menina é que não é, com certeza.

Ela tem apenas oito anos e já cresceu numa sociedade que não vive sem a Internet. Se antes as crianças combinavam se encontrar depois da aula para jogar bola, brincar de esconde-esconde ou pular sela, hoje elas combinam de entrar na sala de bate-papo, escrever em um blog ou fazer vídeos para colocar no Youtube. O importante é se parecer legal. A vida virtual é mais importante que a real – e, se a o pai, a mãe a irmãzinha não tinham perfil no Orkut, então eles nem vão fazer falta. Todo mundo pode ser legal na Internet, basta ter uma estratégia para convencer o “seu público”. Hamanda está aprendendo desde cedo.

domingo, 20 de julho de 2008

Adeus, porra!

Demorou, mas chegou!

Após 101 anos (que ela dizia ser 103, por causa do atraso de dois anos para registrar), Dercy Gonçalves foi desta para uma melhor (que frase mais clichê).

Ela e mais seis irmãos foram abandonados pela mãe quando crianças. Aos 17 abnos, fugiu de casa com uma companhia de teatro. Chegou a se casar quando jovem, mas era tão ignorante que fugiu da lua-de-mel e foi dar queixa na polícia porque seu marido tentara "enfiar um facão" dentro dela... Detalhe da ocasião: ela usava uma camisola feita de saco de arroz, onde estava escrito "Indústria Brasileira".

Foi a atriz mais porra-louca que o Brasil já teve. Ela não tinha pudor, não se envergonhava em falar palavrão onde quer que estivesse, não tinha papas na língua... E todos respeitavam, pois era o meio encontrado por todos para apoiar a falta de pudor (obs: com isso, não tô falando que todo mundo deve sair por aí fazendo sexo no meio da rua).

Quando ela entrava em cena, todos tirava suas máscaras de moralidade e caiam na risada com ela. Pois, na verdade, todo mundo quer liberdade para falar palavrão e fazer outras coisas consideradas "imprópria" numa sociedade de "bem". Afinal, quem disse que falar palavrão fere a moral e os bons costumes?

O palavrão é a síntese de tudo aquilo que a pessoa está sentindo e não consegue expressar de outra forma que não seja um "puta-que-pariu" ou um "vai tomar no cú" ou um "buceta do caralho".... Ou então o "porra!!!!", eternizado pela Dercy Gonçalves... Tanto é que, quando chegou ao hospital São Lucas, no Rio, onde ela morreu, chegou fazendo barraco.

Ninguém sabe como ela conseguiu viver tanto tempo. Tem gente que diz que ela bebia urina. Outros dizem que ela tinha a força de uma tartaruga. Outros dizem que ela era apenas um holograma. Neste caso encerro com o que disse o um amigo meu, Renan: "Na verdade, ela já morreu há 47 anos. O que a gente via era apenas um holograma. O que eles fizeram foi desligar o projetor".

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Pessoas lerdas

Tartarugas mutantes com cara de gente. Lesmas humanas. Andróides com a bateria quase vencida. Com tudo isso se parecem os lerdos. Eles estão presentes em todos os lugares – no trabalho, na faculdade, na família, nas repartições públicas, no clero, no governo... E estão lá para atrasar a vida de quem já está atrasado (na maioria das vezes, um atraso causado por outro lerdo). Quer um exemplo? Quando você está no ônibus dormindo e, de repente, percebe que seu ponto é o próximo. O que faz? Levanta-se apressado, pede licença a todos, dá o sinal e, quando chega na porta, tem uma mulher feia e mole bem na sua frente. Você pede licença para ela novamente, mas a anta fica empacada no caminho. Irritado, você passa por cima e, depois de todo o sacrifício, ainda é chamado de estúpido. E quem mandou ser lerda, mulher? E aquelas pessoas na fila do caixa eletrônico que, além de lerda, não sabem lidar com a ‘tecnologia’... E aqueles trambolhos de gente que insistem em andar lentamente na sua frente, sem dar nenhuma passagem... E os motoristas que param em local proibido para desembarcar a velha senhora que é mãe deles e ainda ficam conversando com ela...

Outro exemplo? A mocinha na fila do supermercado, bem na sua frente, toda molengona. Você, que detesta filas, foi logo ao caixa RÁPIDO para justamente sair dali RAPIDAMENTE. Estava realmente tudo muito rápido, de verdade, até chegar a vez da menina vagarosa passar as compras: dois sabonetes e 100 gramas de pão de queijo.

- Quatro e quarenta e cinco – diz a operadora de caixa.
- Quanto deu? – pergunta a lerdeza em pessoa.
- Quatro reais e quarenta e cinco centavos.
- Ah, ta. Só um momento.
... dois minutos depois, e você impaciente na fila...
- Caramba, eu só tenho quatro e quarenta trocados... Acho que tenho cinco centavos no fundo da bolsa. Só um momento, moça.
... e a lerda continua procurando os malditos cinco centavos...

- É. Acho que não está aqui.
- Você pode passar no cartão, se quiser. – diz a operadora.
- Posso, é?
- Pode sim.
- Quais cartões você aceita?
... a operadora cita todos os dezesseis (!!!!) cartões aceitos pelo supermercado.

- Ta bom. Passa esse aqui, é o único que eu tenho.
... a operadora passa o cartão...

- Pode digitar a sua senha. – diz a operadora.
- Ai, meu Deus! Qual é a minha senha mesmo?
... você olha para o lado e vê que todas as filas andam, menos a sua...

- Peraí, moça. Eu lembro de ter marcado num papelzinho. Ta aqui na minha bolsa....

... e lá se vai a mole, mais uma vez, revirar a bolsa em busca do maldito papel com a senha...

- Onde é que eu coloquei aquele papelzinho?
... você, impaciente, apela para a meditação para conter seus nervos...

- Achei, achei!
- Pode digitar sua senha. – orienta a operadora que, no intervalo dessa procura toda, fez a retirada do caixa, as unhas e ainda bateu papo com a colega do lado.
- Aiiii, errei! E agora?
- Calma, é só fazer tudo de novo.
... e a operadora passou novamente o cartão e pediu para que a molenga digitasse a senha mais uma vez...

- Pronto, moça.
- A senha está inválida.
- Como assim ‘inválida’?
- Está errada, senhora.
- Mas como? Eu digitei corretamente. Olha aqui o papelzinho... Aiii, já sei. É que essa não é a senha do cartão. É a senha do meu e-mail. Ai Cristo, que cabeça a minha!
... nesse momento, você e as dezenas de clientes atrás de você desistem e emitem um sonoro “Ahhhhhhhhh”...

Não entendo por que existem pessoas tão lentas assim. Talvez seja uma deficiência, uma patologia sem explicação. Talvez seja falta de semancol. Talvez seja alguma tendência para dormir acordado que passa de pai para filho.

Enfim, pessoas lerdas só fodem com a vida dos outros. Ainda vou sugerir à FGV fazer um estudo para medir o impacto da lentidão dessas pessoas na economia do país. E não me venham com esse papo de que minha vida é que é acelerada demais, de que eu sou mais um refém da modernidade que nos impõe um ritmo frenético... Se essas pessoas vivessem numa ilha deserta, num oásis, na floresta amazônica, na casa do caralho, que seja, seriam lerdas do mesmo jeito. E reconheço que todos nós temos nosso momento de lerdeza – ainda mais numa segunda-feira, pela manhã. Mas é necessário ser lerdo 24 horas por dia, sete dias por semana?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Eleições 'cavalares'

Foi dada a largada para mais uma corrida no jóquei clube eleitoral paulistano. Entre os cavalos da política local, praticamente nenhum puro-sangue. Quem levará o troféu (ou melhor, a cidade) nesse grand prix?

Se esqueçam dos candidatos da mídia. Alckmin e Kassab são praticamente iguais – exceção às diferenças físicas. A relaxada-e-gozada Marta Suplicy é até engraçadinha, mas deixa pra lá. O brasileiro-que-não-desiste-nunca Paulo Maluf não merece chance (mesmo assim, terá os votos daqueles eleitores fiéis que nunca o abandonarão – inclusive, a senhora minha avó). Soninha Francine – aquela mesma que perdeu o programa na TV Cultura porque disse que usava maconha – talvez seja a única novidade. Mas ela usa maconha, ó Deus! (que preconceito hipócrita!).


Além desses aí em cima, muito ruins, há uma vasta lista com outros aspirantes a mandatário desse município. Ei-los:

- Ivan Valente (PSOL-PSTU): do mesmo partido da
Heloísa “Arretada” Helena, ele promete lutar contra os burgueses da cidade e diz que tem chances de vencer – valente mesmo!

- Renato Reichmann (PMN): Se liga no que esse renomado empresário disse sobre sua candidatura (via
G1): “O motivo que me levou a me candidatar a prefeito é para poder participar do debate político e trazer nossas propostas baseadas em 55 anos de vivência na cidade de São Paulo”. Já que é assim, também posso me candidatar pois tenho 21 anos de vivência nessa cidade.

- Ciro Moura (PTC): Talvez você se lembre dele. Em 2004, ele tinha menos de 1% das intenções de voto em São Paulo, mas foi à Justiça exigir o
direito de participar do debate global junto aos 4 principais candidatos na época. O maluco é tinhoso!

- Levy Fidelix (PRTB):
Ahhhh, esse já faz parte do folclore político nacional. Quem não se lembra da
musiquinha do “aerotrem”? E olha que ele fala nisso desde 1996 (eu lembro!). Se dessem ouvidos a ele naquela época, talvez hoje não teríamos esse trânsito caótico! Uma boa opção para votar em outubro. Levy Fidelix, meu voto é seu!

- Anaí Caproni (PCO): técnica em eletrônica, é uma mulher do povo. Uma operária, assim como nosso presidente. Mas seu
partido é de extrema esquerda. Lembra dos slogans “salário, trabalho e terra”, “quem bate cartão não vota em patrão”, “trabalhador vota em trabalhador”, entre outros?

Só faltam o democrata-cristão
Eymael, o falecido dr. Enéas e o aposentado Osmar Lins (“peroba neles!”)...

Façam suas apostas. Será um páreo duro - para ver quem vai ficar em último lugar...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Meros brinquedinhos de Deus...


Aos leitores desavisados (e àqueles que acham que estãoa costumados comigo), um recado: não quero ser considerado herege nem ser condenado à fogueira da Inquisição. Ao contrário do que possa sugerir, acredito em Deus. Só fico com um pé atrás quando o assunto é religião.
Oras, por quê? Porque religião é algo criado pelo homem, com regras definidas pelo homem. Daí, você me pergunta: "E o homem não criou Deus?". Não sei responder, essa pergunta é muito mais complexa. Mas existem coisas que não dá para explica.
Vamos ao que interessa: esses dias, na volta do trabalho para casa, conversava com um amigo sobre essas questões. Sempre fomos manipulados. A igreja católica manipulou a verdadeira história de Jesus Cristo, com certeza. Hoje, isso é feito pelas evangélicas, pentecostais, neopentecostais, entre outras... Um estudioso israelense provocou polêmica ao dizer que Moisés não conversava com Deus no Monte Sinai, e sim se alimentava de plantas nativas do deserto que eram alucinógenas. Logo, se isso era mesmo verdade, tudo que vivemos hoje não passa de uma grande mentira.
E, se não é mentira, como justificar então a razão do nosso viver? Pois, pela lógica das religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo, islamismo), estamos por aqui apenas de passagem, nos preparando para a vida eterna. Mas se nos comportamos mal, somos enviados ao inferno. Para nos redimirmos, temos de pedir perdão e cumprir as doutrinas da religião.

Mas se o objetivo final é a vida eterna, então por que temos esse estágio inicial? É como se fosse um jogo de xadrez entre Deus e o diabo. Parece que ficam disputando pra ver quem consegue mais "peças" para colocar em seus bolsos e levar às suas respectivas "casas".

Sofremos, nos culpamos por aquilo que consideramos errado, criamos leis para punir os "errantes", julgamos os demais por atos que temos vontade de fazer... De cada lado, um jogador tenta persuadi-lo com suas idéias. Quando cansam e vêem que a peça não serve pra nada, descartam-na e ela vai para algum dos dois lados - a morte. E fica lá, naquela gaveta celestial ou infernal, o resto da eternidade...